XXX – 08/10/85 – terça-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Hoje, graças ao Gohonzon, passei ótima. Só que ainda sem vontade de limpar nada aqui em casa. Principalmente enquanto Matilde e as crianças estiverem aqui, também quase não adianta. Apesar de que, vamos e venhamos, as crianças dela, são bem mais asseados que os da Miriam. Miriam disse que ela se irá para a casa dela no sábado. Será? Cá entre mim, muito cá entre mim, Matilde tem o costume de gostar de se acomodar. Não que ela seja acomodada. Pelo contrário. Ela é trabalhadeira, não enjeita serviço. Mas às vezes, por egoísmo, e por querer fazer todas as vontades dos filhos dela, ela não enxerga, ou faz que não enxerga que está abusando da boa vontade da gente. No fundo, tenho dó dela. Me dôo de dó por ela. Uma lutadora. Que luta sozinha prara criar os filhos dela. Mas, o que é que a gente tem com isso? Ninguém a aconselhou a andar com os pés rapados que andou pra ter estes filhos que mesmo se ela os forçasse, ninguém vale nada para ajudá-la. Os cachorros não podem nem com eles. Boba dela que se deu pra eles de dó deles. Vê se eles têm dó dela, com esse monte de criança sozinha. Eles não tão nem aí. E se revê-la, garanto que ainda gargalham dela na cara dela.
2) Falei com o Ita que é melhor deixar para vender o telefone após a venda da casa, no fim do ano (isto se a gente vender a casa). Porque, no fim do ano ela já estará quase o dobro, ou pelo menos sete milhões, ela estará valendo. Deve primeiro anunciar a venda da casa. Se a gente encontrar o preço que a gente quer, tudo bem, a gente vende. Mas se não achar, a gente vai ficando por aqui mesmo. Porque não vale a pena a gente fazer a besteira de, por qualquer coisinha, ir dando a casa a preço de banana. E depois, com o telefone fica mais fácil a gente vender a casa, os carros, o que tiver que vender. Deitando-se na cama para dormir e um tanto preocupado, ele respondeu:
- Não sei... Estou preocupado é com a Faculdade.
- Você está devendo muito?
- Dois meses. E vai vencer o terceiro. Preciso de pelo menos um milhão. Se a Vitória desse pelo menos uma parte do dinheiro que deve pra senhora...
- Telefone pra ela. Quem sabe ela dá?
- Não vou telefonar mais pra Vitória não. Não quero mais papo com ela.
- Eu vou ver se consigo telefonar pra ela. Pedir pelo menos um milhão.
- Eu vou precisar de um milhão e meio pra pagar as três mensalidades.
- Vou ver se ela arranja ao menos dois milhões. Ela deve ter sim. Depois, até o fim do ano, ela paga o resto. Mas se de tudo, não tiver outro jeito, então, vende o telefone, né? O mais importante é a sua Faculdade.
Ficou quieto. Despedi-me e vim deitar-me.
Clô
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