quinta-feira, 4 de abril de 2024

MEU BAIRRO

(“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo                                               

  Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer                                                   

  Porque eu sou do tamanho do que vejo

  E não do tamanho de minha altura...”)

          FERNANDO PESSOA – em Alberto Caieiro 

                          

 

Falam mal... mas, tão mal...

Do meu bairro, coitado!

Que é isso, aquilo, aquilo,

Aquilo, e aquilo mais...

Que eu não vou repetir, pois,

Não me ponho ao lado

De quem se presta a erguer

Tal tipo de cartaz.

 

É em mais de um sentido,

De Suzano, o “Cristo”!

Chegam a culpa-lo até

De coisas... que não faz!

Quanto melhor quer ser,

Mais o querem mal visto!

E o seu delito é só

Ser humilde, demais!

 

Meu bairro, ainda não tem

A distinção de um Sesc!

Nem de esnobar ninguém

Quer menor pretensão.

Mas, a quem duvidar,

Que jogue o anzol, e pesque:

Também, (sem pressa!) aqui,

Se tenta, a perfeição!

 

Bem longe está também

Do poderio do Centro!

Mas sabe muito bem

Que um dia... chega lá!

Cedo?...Ou, tarde?... Não importa.

O que importa, é estar dentro

Do prazo imprevisível

Que a esperança... nos dá!

 

Tem faltas... bem o sei:

Mais faltas, que virtudes.

E analisando-as, bem,

Eis, onde chegar, pude:

- É raríssimo o lugar,

Que, ao começar... não é isto!

 

E os de ontem, intrépidos

E anônimos pioneiros!

Vejo-os hoje, nos meus

Valentes companheiros!

Do meu cru-ci-fi-ca-do

Jardim... Monte Cristo!

 

             Clotilde Sampaio

 

Jardim Monte Cristo, Suzano, SP, 08/04/1976.

 

OBS: Nota da digitadora Vitória Régia: 

Este poema conquistou o segundo lugar Concurso Literário de Suzano, SP, em 2006, publicado no livro ANTOLOGIA Novos Talentos da Literatura Brasileira, em 2007.

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