(“Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho de minha altura...”)
FERNANDO PESSOA – em Alberto Caieiro
Falam mal... mas, tão mal...
Do meu bairro, coitado!
Que é isso, aquilo, aquilo,
Aquilo, e aquilo mais...
Que eu não vou repetir, pois,
Não me ponho ao lado
De quem se presta a erguer
Tal tipo de cartaz.
É em mais de um sentido,
De Suzano, o “Cristo”!
Chegam a culpa-lo até
De coisas... que não faz!
Quanto melhor quer ser,
Mais o querem mal visto!
E o seu delito é só
Ser humilde, demais!
Meu bairro, ainda não tem
A distinção de um Sesc!
Nem de esnobar ninguém
Quer menor pretensão.
Mas, a quem duvidar,
Que jogue o anzol, e pesque:
Também, (sem pressa!) aqui,
Se tenta, a perfeição!
Bem longe está também
Do poderio do Centro!
Mas sabe muito bem
Que um dia... chega lá!
Cedo?...Ou, tarde?... Não importa.
O que importa, é estar dentro
Do prazo imprevisível
Que a esperança... nos dá!
Tem faltas... bem o sei:
Mais faltas, que virtudes.
E analisando-as, bem,
Eis, onde chegar, pude:
- É raríssimo o lugar,
Que, ao começar... não é isto!
E os de ontem, intrépidos
E anônimos pioneiros!
Vejo-os hoje, nos meus
Valentes companheiros!
Do meu cru-ci-fi-ca-do
Jardim... Monte Cristo!
Clotilde Sampaio
Jardim Monte Cristo, Suzano, SP, 08/04/1976.
OBS: Nota da digitadora Vitória Régia:
Este poema conquistou o segundo lugar Concurso Literário de Suzano, SP, em 2006, publicado no livro ANTOLOGIA Novos Talentos da Literatura Brasileira, em 2007.
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