XXXI – 09/10/85 – quarta-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Aniversário do Dudu, doze aninhos, disse a Miriam. Se o Landinho tivesse vivo teria treze anos. E o Landinho também poderia estar aí se não morresse. E morrer bestamente, sem motivo nenhum.
- Ele morreu de quebranto.
- Ah! Não acho não, Miriam.
- Foi sim. Uma mulher que gostava muito dele e que nunca teve filho homem, pôs quebranto nele.
- Ah! Miriam, se fosse assim, ela teria posto quebranto no seu filho também. Se fosse assim, ela mataria todos os meninos que olhasse. Ele morreu porque a Matilde, quando estava comigo, tinha o costume de agasalhá-lo muito e de dar banho nele de porta fechada. E quando foi pra casa da mãe, foi o contrário. Lá a casa toda aberta. E aquela porta que todo mundo passava toda hora. De certo ela foi dar banho no menino e alguém passou e fez vento, e ele pegou broncopneumonia. Foi disso que ele morreu. Você não viu como ele ficou todo roxo? Irreconhecível. E o atestado de óbito dele constou broncopneumonia.
- Mas o Dudu também pegava tanto vento, e não morreu.
- É que ele criou anticorpos contra o vento. E o Landinho talvez não tivesse criado. Os meus filhos, também eu criei de qualquer jeito. E nunca ficaram nem gripados à toa.
- Sabe de uma coisa? Ele morreu porque tinha que morrer. O Leandro também teve pneumonia de virar até o pescoço, os médicos até pensaram que era meningite. E ele está aí.
- Morreu porque tinha que morrer mesmo. Ou seja, por causa de nada. O Ita também, quando a gente mudou aqui (*sem concluir).
2) Capitão Expedito veio!!! Com tudo! Disse que gostou de mim desde a primeira vez que me viu. Que quando eu lhe disse que ia pra São Paulo, ele ficou muito triste e quase me falou:
- Não vai não, meu amor, que eu te amo!
Disse que há muito tempo gostaria de ter me falado que me amava mas tinha medo de receber um não. Me abraçou, me beijou várias vezes, mostrou-se muito alegre e feliz e queria mais coisas. Queria vir para o quarto. Disse que já perdemos muito tempo. Mostrou-se um homem super carinhoso. Disse que não acreditava no que estava acontecendo. Disse que virá sempre. Quase todo dia. Sempre que puder virá. Que eu vou cansar de vê-lo agora aqui. Graças ao Gohonzon! Que ótimo! Muito obrigada por tudo, Gohonzon! Eu também estou boba. Não estou nem acreditando no que aconteceu. Estou me sentindo a Mocinha beste último encontro que teve com o Roque Santeiro antes de saber que ele de fato existe! Agora vou começar a viver de novo. Quem sabe é ele o verdadeiro homem da minha vida?
Clô
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