quinta-feira, 4 de abril de 2024

13 10 85

XXXV – 13/10/85 – domingo - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.

 

1) Acordei-me às quatro. Ita ainda não havia chegado. Não dormi mais, um tanto preocupada com ele. Do jeito que acontece tanta coisa... Eram quase cinco horas quando ele chegou e veio conversar comigo. 

  - Ainda acordada, mãe?

  - Estava preocupada com você. Acordei e você ainda não tinha chegado, não dormi mais.

  - Não precisa se preocupar comigo não. Eu sou um rapaz pacífico. Pra mim só interessa o amor.

Falemos sobre a Vitória, que eu achava esquisito o que ela contou. Não sei se ela está sendo sincera, não sei o que se passa com ela. Mas é estranho que só pra ela, as coisas não estejam bem como deveriam estar. Ela me pareceu triste. Não me pareceu convincente. Sei lá. Ela foi se deitar. Viu que a luz do corredor estava acesa com aquela luz vermelha, e ficou danada.

  - Luz vermelha aqui, mãe. Ridículo. Nada de luz vermelha aqui. Luz vermelha é luz de zona.

  - Eu não sabia, respondi-lhe chocada. 

 

2) Jânio vem hoje em Itaquera. E eu preciso ir vê-lo. Preciso me levantar, rezar, me arrumar e sair às oito. Ainda não são seis horas e Lilinha já está acordada, pulando. E eu com sono, se pudesse dormiria mais. Mas se eu dormir, acabo não indo em Itaquera. E eu preciso ir até lá rever os meus novos amigos pelo menos. É tão gostosa a reunião de janistas como eu, aos domingos, lá no Comitê. Só que eu queria estar com uma fisionomia bem bonita. E não com esta cara de sono que estou. De repente me dá de ver Aoud, e como é que eu fico? E para os outros também e para mim mesma, gosto de parecer bonita.

 

                                                    Clô

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário