XXXIX– 17/10/85 – quinta - Jardim Monte Cristo, Suzano, SP.
1) Entre hoje e amanhã, preciso falar sem falta com Aoud a respeito dos problemas dos nossos filhos. Estou confiante de que ele nos ajudará. Afinal de contas, creio que ele. Não é tão ruim como quer parecer ser.
2) Mais parecia que eu estava para dar à luz de tanto que me doía a barriga hoje de manhã. Eram três e meia da manhã quando pulei da cama e me sentei na bacia do banheiro. Aquelas cólicas fortes, e quanto mais doíam mais força eu fazia. Era como se, em vez de um monte de cocô, estivesse saindo uma criança. Agora, às nove horas, ainda não estou bem. A barriga de vez em quando insiste em doer e vejo que estou com desinteria. Miriam me arranjou da gaveta um remédio para eu tomar para combatê-la. Não gosto de tomar remédio não. E não vou tomar nada. Daqui à pouco passa. Remédio pra mim, só em último caso.
3) Sonhei um sonho engraçado e gostoso esta noite. Que eu estava chegando em casa e, logo de cara, vi um carro último tipo de luxo preto, que mais parecia um desses carros esportes americanos que estão saindo mais ou menos parecidos com um (esqueci o nome, mas igual àquele carro vermelho que o Ari da venda tinha, ou seja, parecido com o tipo daquele). Eu sabia de quem era o carro, de um figurão importante e bonito, que gostava de mim e estava ali parado por minha causa e à minha espera, dentro do carro. Com muito jeito, entrei em casa sem que ele me visse. Fiquei contente quando o vi, mas fiquei com vergonha de não estar arrumada à altura dele. Por isso dei um jeito de despistar e consegui entrar sem que ele me visse. Quando entrei em casa, outro carro mais lindo ainda, estava estacionado aqui dentro do quintal. E dentro de casa, conversando com meus familiares ascendentes a mim, outro cara mais lindo e mais importante que o primeiro que também gostava de mim e que eu já o conhecia. Fiquei contentíssima por vê-lo, mas envergonhada por ele me ver desarrumada. Ia entrar para me arrumar para depois falar com ele, quando ele de repente me agarrou e começou a me abraçar e me beijar loucamente; e, de repente, tirou o pinto da braguilha e o pôs no meio das minhas pernas, e no meio de todo mundo ficamos no vai e vem. Estávamos excitadíssimos, pelejando para que o pinto entrasse bem em mim, e nada dele se encaixar direito. De repente, embora com vergonha por estarmos fazendo aquilo na frente de todos os meus familiares mais velhos, resolvi que deveria dar a minha colaboração. E já mais que excitada, peguei o pinto dele e coloquei bem direitinho na porta da minha vagina. Quando ele entrou, ai que delícia! Cada estocada que ele dava, ou seja, cada vai e vem era uma coisa do outro mundo. E gozamos em pé de um jeito que eu nunca gozei em toda a minha vida! As únicas vezes que se aproximaram deste meu gozo, foram as das vezes em que o Aoud me pegava no colo e introduzia o pintão dele, e ele mesmo tanto se mexia como me mexia para ele. E era aquela delícia inenarrável. Pois é o gozo que gozei esta noite em sonho foi mais ou menos igual àquelas vezes com Aoud. Após o gozo, acordei com aquela tremenda dor de barriga. Agora, penso se o sonho é um aviso, quem sabe se estão para acontecer o que há de melhor na minha vida ou com o Capitão, e ou com Aoud? Gohonzon, me ajude que sim. Que eu ainda seja muito feliz daqui pra frente, Gohonzon. Afinal, eu mereço.
4) Quase que contra a minha vontade, fui levar Matilde na Santa Casa, agora à tarde, pra ela passar no médico, para ela ver como estão seus pontos. Só fui mesmo porque já havia prometido a ela que iria. E porque já estava melhor, por ter resolvido o problema de hoje de manhã, com relação aos cartazes da minha ex-campanha eleitoral. Foi assim: fui procurá-la lá no salão e nada de achar. Perguntei à Miriam e ela disse que tinha posto a caixa com eles lá no salão, revirei de novo tudo, e nada de achar. Fiquei brava, fiquei nervosa, fiquei furiosa, esbravejei, xinguei todo mundo, virei um bicho, revirei várias vezes, e nada nada de achar nada. Soltando faísca e fogo por todos os poros, entrei para casa, e fui me deitar arrasada. De repente, comecei a ficar mais calma, a pensar melhor, voltei a procurar dentro de casa e achei alguns e já fiquei mais sossegada. Pelo menos alguns ainda restaram. Fui até a cozinha, estava tomando café quando a Miriam entra com a caixa cheia de todos eles. Engraçado. Parece coisa feita. Revirei que revirei e nem aquela caixa eu vi. E o Eduardo achou tudo tão fácil, no mesmo lugar onde eu revirei várias vezes e não enxerguei nada. Acho que eu estou cega. Ou então uma coisa que eu não sei dizer, um espírito, escondeu e só pra mim não ver, e virar bicho. Agora que tudo se acalmou, eis que está tudo aí. Não é a primeira vez que acontece isso. Aconteceu aquela vez que o Manoel me deu quinhentos cruzeiros pra eu fazer a feira. E sumiu de cima da cômoda. E depois que eu revirei toda a casa várias vezes e nada, depois que saiu a maior briga entre eu e ele, depois que eu tinha chorado bastante, depois que eu tinha até desistido de ir na feira, de repente eu olho em cima da camiseira e lá estavam os quinhentos cruzeiros embrulhadinhos, igualzinho como quando eu o tinha posto sobre a camiseira. Outra vez foi com vinte mil cruzeiros que sumiram de dentro da gaveta quando nós morávamos lá na Joaquim Marra, e o João deveria ter uns nove a dez anos. Eu revirei a gaveta, revirei todas as gavetas, revirei o quarto, revirei a casa várias e várias vezes e nada de achar o dinheiro. Dei a maior surra no João e disse a ele que ele tinha que trazer o dinheiro o dinheiro de volta senão iria tomar outra surra bem maior. Ele saiu e. dali a pouco, me entregou os vinte mil cruzeiros. Pensei: ainda bem que ele ainda não tinha gastado. E guardei-os dentro da minha gaveta. No outro dia, quando eu vou abrir a gaveta, encontro não só vinte, como também os outros vinte sumidos. Aí é que eu vi que tinha batido à toa. Perguntei ao João onde ele tinha arranjado aqueles vinte. Ele disse que tinha pedido ao Raimundo só pra me dar e não ter que tomar outra surra. Aí foi que eu me dei conta do quanto tinha sido má e injusta com o João dando-lhe aquela surra enorme, estando ele inocente. Parece que isso acontece quando um espírito ruim cisma de brincar com a gente. Só depois que tudo que é ruim acontece é que ele põe de novo o que sumiu no lugar.
5) E o Madaleno Arrependido não veio mesmo mais. Engraçado um homem fazer as declarações de amor que me fez me deixar toda empolgada, toda assanhada, toda excitada e sumir. Também, já não estou ligando mais muito pra ele não. A partir de amanhã retomarei minhas atividades normais. E ele que se dane. Pelo que percebo, não há mesmo ninguém capaz de superar Aoud na minha vida. Aoud não é lá aquelas coisas. Mas em vista dos outros ainda é o maior. Quem sabe ainda estarão pra acontecer coisas fantásticas entre eu e Aoud? Pelo meu sonho desta noite, belas perspectivas estão pra acontecer. Quem sabe aquele homem que já estava dentro de casa e com quem eu mantive a maior e melhor relação sexual de toda a minha vida não era o Aoud? Preciso rezar para que tudo se delineie melhor e para que tudo o que tiver de acontecer de bom, aconteça o mais rápido possível.
6) Vieram cartas e fotos de João, de Ari e da Bahia hoje. Notícias de que Lorena está linda, e que a vida deles está tudo a mil maravilhas. Graças ao Gohonzon que não falha.
7) Novo endereço do João:
Rua Arlindo Fragoso, 96 B
Apartamento 104 – Brotas
Salvador – Bahia
Endereço definitivo. Pois trata-se do apartamento que ele comprou recentemente na Bahia. Mais amplo e mais confortável que o antigo que ele morou dois anos na Rua Moacir Leão, 69, Bloco G, apto 927, Conjunto Residencial Politeama – Politeama – Salvador. Quando ele e Ari se casaram, moraram na Rua Oito de Dezembro, 122, 1º andar, edifício Estoril – Graça – Salvador – Bahia. Antes do João se casar, e assim que ele chegou de São Paulo em Salvador, primeiro ele residiu na Pensão Moderna, Rua Monte Alverne, Praça da Sé. Depois ele se mudou para o Largo do Pascoal, numa pensão, bairro de Santo Antonio. Logo depois dos Passos e do Convento do Carmo, Pelourinho.
Clô
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