segunda-feira, 6 de outubro de 2014

04/03/80 – terça-feira

Comecei a trabalhar no “Cruzeiro do Sul” novinho. Encontrei bastante gente conhecida: Dona Alzira e Dona Neuza do SESI do Monte Cristo, e a Dorcas.  O novo diretor, senhor Mário, também estreou hoje comigo. É simpático. Aliás, parece ser. Fiquei nervosa o tempo todo, e não dei conta de bater as listas de chamadas todas. Só duas e com muito sacrifício. Vi Helena. Disse que o marido foi embora e levou tudo. Está contente. Lourdes foi na escola nos ver e falou da trágica morte do marido em desastre de moto. Disse que ele queria morrer assim mesmo: com o corpo todo despedaçado, de modo que só desse para juntar os pedaços num saco. Foi atendido. Pareceu-me que a Dorcas não gostou de eu ter mudado de merendeira para auxiliar de secretaria. Fez uma cara! A Lourdes pelo contrário. Disse que ficou muito contente de ver que eu tinha subido. Entro às sete e saio às onze para o almoço. Volto às treze e volto às cinco. Fui na Dona Marta na hora do almoço. Ela me contou da japonesada. Disse que a Elza Tikutan contou no Tikusá um relato que todo mundo sorriu e achou grande coisa. Só ela, Dona Marta, é que não gostou. Contou que comprou o telefone, rezou dez horas e desafiou o Gohonzon. “Gohonzon, eu te desafio: mostre o seu poder. Eu quero o meu telefone ligado bem depressa”. E o telefone foi ligado com só 14 dias, mas que foi só por benefício do Gohonzon. Boba. Parece que nunca viu telefone. Se fosse algo de extrema necessidade, mas desafiar brutalmente o Gohonzon só por status. Seria mesmo benefício o que ela recebeu? Pode também ser castigo. Faz tempo que não vejo o Galetti. Nem Nancy. Não quero nem pensar na Vitória. Depois do que ela me fez, morreu. O Américo não dormiu ontem aqui. Soube que foi mandado embora da firma. Preocupo-me: onde agora ele irá encontrar outro emprego? Deve ter ido embora para São Paulo. E tomara que fique por lá. O Ita está firme no Dr. Gil. Mas a meta dele não é essa. Quer chegar na Papelão. Torço por ele. O João precisa por na cabeça que modelação não é coisa para ele. Deve por na cabeça metas mais altas. Por exemplo: cultura, Vivaldo. Bahia, ou qualquer outro lugar centro de cultura que não seja Suzano. Vitória e Elias vieram no sábado. Pediram que eu fosse assinar o casamento. Não assino. Me esqueçam. Nunca a Vitória precisou de mim pra nada. Eu sou a última a saber das coisas, quando deveria ser a primeira. Vocês me jogam no lixo, me esperam apodrecer e depois ainda vêm querendo tirar algum proveito? Saí e deixei-os sozinhos na cozinha. Quando voltei, já não estavam mais. É bom que nunca mais pisem aqui.


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