sexta-feira, 3 de outubro de 2014

13/10/1988 – quinta-feira (sobre quando ELE surgiu)

10 – Só quando fui chegando bem perto é que percebi: aquele homem alto, forte, moreno, parado bem à beira da calçada já quase à esquina da Rangel Pestana com a rua bem defronte ao ainda embrião Tribunal de Contas, em dois anos dos meus obrigatórios percursos vespertinos e diários, nunca estivera ali. E ele me olhava de um jeito... Esquisito... Estranho... Mas não só pelo jeito com que ele me olhava mas, mais por isso, é que se destacava dos demais. Tanto ao ponto de, até eu, que não costumo encarar nem reparar nas pessoas que me olham por onde quer que eu ande, o ter notado. E, no entanto, eu nunca o vi. Em hipótese alguma nem ali, nem em qualquer das outras partes do meu inteiro trajeto começado desde o 209 da José Bonifácio, via rua Direita, Praça Venceslau Brás, Roberto Simonsen, Praça Clovis, Rangel Pestana, e findando ali no ponto do ônibus Itaquera, na quase esquina do comecinho do Parque Dom Pedro.

* A cena descrita acima refere-se ao momento em que ela, autora, nota a presença DELE, entre 1962 e 63. (*Nota da filha, VR)

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11 – Labuta dura, essa minha: vinte e dois anos só, casada, dois filhos, viúva. Sem pai, sem mãe, sem aposentadoria, sem recursos, sem casa.


12 – Será que eu sou tão besta de me pensar sendo alguma coisa que na realidade não sou? Por exemplo, eu me acho verdadeiramente Poeta. Será que sou? E me acho entre os melhores. Será que sou?

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