quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Quinta-feira, 9 de novembro de 1978.

Hoje passei o dia todo arrumando as terras e carpindo os matos do quintal. Não rezei nada hoje. Aliás, já faz vários dias que eu não rezo nada. Estou quebrada. Paro de carpir. Estou toda suja e suada. Mas antes de tomar banho vou assistir “A Sucessora”. Continuo a assistir “Pecado Rasgado”, “Jornal Nacional”, e está começando “Dancing Days”, eu ainda sem tomar banho, embora saiba que hoje não posso passar sem ele de jeito nenhum, pois amanhã o presidente Ernesto Geisel vem a Suzano. E eu não posso ir vê-lo fedida como estou. E eu tenho que ir vê-lo. Embora me seja nada agradável ver a imponência do Galetti todo todo ao lado do presidente, quero de qualquer jeito ver o presidente amanhã, pois se é uma vez na vida que se pode ver um presidente e se ele quem vem aqui na minha cidade, eu não posso por nada perder esta oportunidade. Assim estou pensando quando a Jussara entra no quarto dizendo “mãe, o Galetti está aí e disse que a senhora mandou chamá-lo para falar com ele”. Saio com a Vitória e a Jussara e vamos ter com ele. Ele pergunta em tom calmo se eu o mandei chamar. Nego-lhe. Torna a me perguntar, torno a negar-lhe. “Mas você não mandou mesmo ninguém lá dar recados?”. “Bem, mandei mas já faz tempo. Foi na semana passada”. “Então é isso. Mas só me avisaram agora. Você precisa de alguma coisa?”. Não, não é nada, Galetti. É que eu perdi o meu título de eleitor e queria saber onde vou votar, é só”. (Mentira). “Mas só por isso?”. “Só por isso”. “E por que não passou lá no comitê?”. “Porque fiquei com medo de você me tratar com estupidez”. Entrei no carro, conversamos bastante. Sobre a minha vida, sobre a vida dele. Falei-lhe que estava tudo bem com o português. E ele morre negando que arranjou mulher. Diz que é só inquilina, governanta ou empregada mas que não se trata de mulher nenhuma dele não.
                                                                      Clô





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