quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Clô. 10/01/99


Flagrantérrima a ignorância das pessoas a respeito da morte e em se falar de morte. Ninguém gosta. É como se todos fossem eternamente imortais. Não querem falar sobre ela, não querem saber nada sobre ela. Isso também acontece com a loucura. Dois assuntos tabus. Dois assuntos proibidos. E chegam até a ficar de mal com a gente e a nos diferenciar preconceituosamente se ousamos abordar sobre quaisquer dessas duas gritantes realidades que podem acometer a qualquer um. Todos querem a alegria, a farra, os bons momentos, o lazer, a diversão a qualquer preço, a qualquer custo. Mas encarar a sério a loucura e a morte ninguém quer. Mesmo as pessoas mais abertas como Dona Maria e Ivonete, não aceitam a idéia. Elas não enxergam que quanto mais intimidade tivermos com a loucura e com a morte, melhor seremos capazes de vivermos a vida. Será que sou louca? Demente? Decrépita? Será que sou só eu assim, esta espécime rara que escandalizo a todos, com esta minha mania de vangloriar e defender tudo isto que trago já de natureza em mim? Sim, porque a loucura e a morte são coisas que fazem parte de mim.


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