Flagrantérrima a ignorância das pessoas a respeito da morte e
em se falar de morte. Ninguém gosta. É como se todos fossem eternamente
imortais. Não querem falar sobre ela, não querem saber nada sobre ela. Isso também
acontece com a loucura. Dois assuntos tabus. Dois assuntos proibidos. E chegam
até a ficar de mal com a gente e a nos diferenciar preconceituosamente se
ousamos abordar sobre quaisquer dessas duas gritantes realidades que podem
acometer a qualquer um. Todos querem a alegria, a farra, os bons momentos, o
lazer, a diversão a qualquer preço, a qualquer custo. Mas encarar a sério a loucura
e a morte ninguém quer. Mesmo as pessoas mais abertas como Dona Maria e
Ivonete, não aceitam a idéia. Elas não enxergam que quanto mais intimidade
tivermos com a loucura e com a morte, melhor seremos capazes de vivermos a
vida. Será que sou louca? Demente? Decrépita? Será que sou só eu assim, esta espécime
rara que escandalizo a todos, com esta minha mania de vangloriar e defender
tudo isto que trago já de natureza em mim? Sim, porque a loucura e a morte são coisas
que fazem parte de mim.
Clotilde Costa Sampaio nasceu em 17 de maio de 1940 em Santa Cruz do Rio Pardo, SP e faleceu em 17 de janeiro de 2010 em Mogi das Cruzes, SP. Poeta desde os 23 anos quando, viúva com dois filhos, conheceu o grande amor de sua vida e com ele teve mais dois filhos, em SP, capital. Construiu sua casa em Suzano, SP. Alternava períodos em Salvador, BA, momento em que sua obra ganhou e alcançou novo vigor poético. Deixou os filhos João, Vitória, Itamaraty, Jussara e Tarcila.
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