terça-feira, 7 de outubro de 2014

À VONTADE

     
          ...(“Onde existo que não existo em mim?”)...
                     MÁRIO DE SÁ CARNEIRO

Para Mins Mesmas 

Não porque eu me preste ou queira.
Mas porque o ser só, me calha.
Eu só sei-me ser fronteira
A isolar-me entre a muralha.

Que é meu mesmo eu. E assim,
Gozo o mal de ser distante.
Bem mais longinqua de mim
Que dos meus dessemelhantes.

Não lhes sou. Nem me propenso.
E quanto mais me condenso
Mais me sei tendo sequer
Qualquer veio de consenso.

Vou ao que me convier.
E agora, sim! Me convenço:
Não sou melhor. Nem mulher.
Sou só uma cabeça. E penso.

          Clotilde Sampaio


                       Monte Cristo, Suzano – SP – 13/08/1987

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