...(“Onde existo que não existo em mim?”)...
MÁRIO DE SÁ CARNEIRO
Para Mins Mesmas
Não porque eu me preste ou queira.
Mas porque o ser só, me calha.
Eu só sei-me ser fronteira
A isolar-me entre a muralha.
Que é meu mesmo eu. E assim,
Gozo o mal de ser distante.
Bem mais longinqua de mim
Que dos meus dessemelhantes.
Não lhes sou. Nem me propenso.
E quanto mais me condenso
Mais me sei tendo sequer
Qualquer veio de consenso.
Vou ao que me convier.
E agora, sim! Me convenço:
Não sou melhor. Nem mulher.
Sou só uma cabeça. E penso.
Clotilde Sampaio
Monte Cristo, Suzano – SP – 13/08/1987
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