29- Teve um dia, (e isso, eu me lembro bem, foi lá no Terreiro
de Jesus, num dia de manhã) que tinha um palanque onde deveriam subir nele
todas as autoridades do Pelourinho, entre as quais eu e Vitória estávamos
incluídas, junto com o comandante superior da Polícia Militar dali, e que, eu
vendo a arrogância daquelas senhoras chegadas por último, onde nós humildemente
já estávamos de há muito, me recusei a subir no palanque, me recusei a
partilhar da companhia delas, e até me recusei também a compartilhar com o meu
sorriso e com as minhas palavras, dos sorrisos e conversações falsos e
arrogantes delas. Foi nesse momento que eu me dei conta de que não tinha eu a
menor obrigação de ficar demonstrando para ninguém nada do que eu não estivesse
realmente sentindo. Assim, eu não devia me obrigar a rir, só para me mostrar
simpática aos outros, quando eu na verdade, não estava nem um pouquinho naquele
exato momento, com vontade de rir, nem de falar, nem de me mostrar alegre e de
bem com a vida, se dentro de mim, era exatamente o contrário que eu deveria
demonstrar. E desde esse dia, combinei comigo mesma, de ser eu mesma, só, e
absolutamente eu mesma, para quem quer que fosse, e em qualquer lugar e ocasião
que fosse, e assim tenho sido, desde esse dia, rigorosamente fiel a mim mesma,
desagrade a quem desagradar, doa a quem doer, destoa a quem, e onde destoar. E
assim, tenho ficado na minha, custe o que me custar. Não me vejo mais, como
antigamente, a perdoar e a deixar passar mau caratismo, falsidades e hipocrisias
de ninguém, nem de ... (só porque é minha irmã?) nem de ... (só porque é mulher
do ...?). Fingir que elas não me fizeram nada, quando me fizeram e coisas muito
graves, de falta de respeito e de consideração? Nunca! Eles que são os
bonzinhos que fiquem todos para lá, e me esqueçam. Amizade hoje, eu só quero de
quem realmente me considera e me respeita. Prefiro as poucas raríssimas que
tenho, e que posso confiar do que me desvalorizar e me desmoralizar e perder o
respeito por mim mesma, me imiscuindo com essa gentalha sem nenhum dos valores
humanos que eu respeito e admiro numa pessoa, e que exijo que exista nas
pessoas da minha verdadeira amizade.
Clô
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