segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Clô - 27/05/98

29- Teve um dia, (e isso, eu me lembro bem, foi lá no Terreiro de Jesus, num dia de manhã) que tinha um palanque onde deveriam subir nele todas as autoridades do Pelourinho, entre as quais eu e Vitória estávamos incluídas, junto com o comandante superior da Polícia Militar dali, e que, eu vendo a arrogância daquelas senhoras chegadas por último, onde nós humildemente já estávamos de há muito, me recusei a subir no palanque, me recusei a partilhar da companhia delas, e até me recusei também a compartilhar com o meu sorriso e com as minhas palavras, dos sorrisos e conversações falsos e arrogantes delas. Foi nesse momento que eu me dei conta de que não tinha eu a menor obrigação de ficar demonstrando para ninguém nada do que eu não estivesse realmente sentindo. Assim, eu não devia me obrigar a rir, só para me mostrar simpática aos outros, quando eu na verdade, não estava nem um pouquinho naquele exato momento, com vontade de rir, nem de falar, nem de me mostrar alegre e de bem com a vida, se dentro de mim, era exatamente o contrário que eu deveria demonstrar. E desde esse dia, combinei comigo mesma, de ser eu mesma, só, e absolutamente eu mesma, para quem quer que fosse, e em qualquer lugar e ocasião que fosse, e assim tenho sido, desde esse dia, rigorosamente fiel a mim mesma, desagrade a quem desagradar, doa a quem doer, destoa a quem, e onde destoar. E assim, tenho ficado na minha, custe o que me custar. Não me vejo mais, como antigamente, a perdoar e a deixar passar mau caratismo, falsidades e hipocrisias de ninguém, nem de ... (só porque é minha irmã?) nem de ... (só porque é mulher do ...?). Fingir que elas não me fizeram nada, quando me fizeram e coisas muito graves, de falta de respeito e de consideração? Nunca! Eles que são os bonzinhos que fiquem todos para lá, e me esqueçam. Amizade hoje, eu só quero de quem realmente me considera e me respeita. Prefiro as poucas raríssimas que tenho, e que posso confiar do que me desvalorizar e me desmoralizar e perder o respeito por mim mesma, me imiscuindo com essa gentalha sem nenhum dos valores humanos que eu respeito e admiro numa pessoa, e que exijo que exista nas pessoas da minha verdadeira amizade.
                                                                Clô

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