sábado, 18 de outubro de 2014

Quinta-feira, 5 de outubro de 1978.


Levantei-me cedo. Fiz a marmita do João. Faz uma manhã esplendorosa. E um sol lindo e forte que domina e faz vibrar todo o Monte Cristo. Estou sem nenhum dinheiro trocado e a Vitória não tem nem dinheiro para tomar o ônibus. Juntou todas as moedas e só deu Cr$ 2,60, e o ônibus é Cr$ 2,80. Não vai dar nem para pagar a ida. Na volta terá que vir a pé. Fiz bolinhos porque também não temos trocado para comprar pão, leite e açúcar. O óleo também está no fim mas o pouquinho que tinha deu para fritar os bolinhos. Ia fazer chá mas não tinha açúcar. Só comemos os bolinhos. Estou com as dez notas de Cr$ 500,00 que o Aoud mandou ontem. Mas na venda não trocam. E também não tenho confiança de deixar a Jussara sair com Cr$ 500,00 na mão. Pode alguém mal intencionado ao vê-la trocar tanto dinheiro, segui-la e se apossar do dinheiro, e até machucá-la, o que é pior. Rezei só os Gongyos da manhã e da noite e 20 minutos de daimoku (...). Eram já mais de três horas quando saí para Suzano e a Vitória ainda não havia chegado. Fiquei preocupada porque ela está doente e sem dinheiro para voltar. E sem comer nada. Pode dar uma tontura, cair na rua, e é muito perigoso. Vou ao Banespa saber com relação à minha conta. Quando e porquê foi encerrada. No banco, depois de muita espera e de muita procura por parte do alto funcionário que me atendeu, este me disse o seguinte: é que por falta de movimento e de saldo, o computador eliminou a conta. Eu depositei e caiu fora da conta. O cheque caiu, eles não acharam o saldo correspondente e devolveram sem fundos o cheque. Mas que já estava tudo certo, e que o mesmo cheque poderia ser depositado outra vez. Fiz novo depósito de Cr$ 500,00, e ficou tudo okay outra vez no Banespa. Depositei mais Cr$ 4.000,00 no Nacional. E passei no Depósito São Luiz para avisar sobre o cheque e comprei um outro vitrô de 0,60 x 0,60 para o banheiro que ficou pequeno. Telefonei para o Baiano. Vou encontrá-lo no sábado das cinco e meia às seis. Fiz compras e fui para o ponto de ônibus que demorou muito. O Galetti passou de carro e me viu. Dali a pouco passou a pé e, ao me ver de óculos que eu pus só para enxergar bem o ônibus, gritou “Ei, dona! Está de óculos, heim! Precisa pôr a máscara”. Cheguei, a Vitória já havia chegado. Graças ao Gohonzon. Havia ficado na casa da tia porque não estava bem, até às quatro. O Ita foi quem chegou do jogo de bola com febre e dor de cabeça. Nem foi hoje na escola. Luciano (o encanador), com rifa de Cr$ 3,00 ganhou um jogo de panelas. Sortudo. Teve bafafá agora ao escurecer no cortiço aqui da frente por causa do chifrudo e tarado marido da Du Carmo que, desrespeitou a menina vizinha. O Doca veio me trazer os Cr$ 1.000,00.


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