Amor,
Há quem me abrace em teu lugar na tua ausência.
É a solidão e esta saudade prepotensas.
E eu nestas letras, venho aqui, pra suplicar-te:
Nunca me deixes só na noite vaga, fria, imensa
Deixe-me ao menos uma pequena recompensa
Por este amor que é todo teu. E pra entregar-te,
Preciso apenas teu perfil, tua presença
Mesmo que seja numa estampa de papel.
Pois, quando a erosão for mais intensa
Hei de mirar-te num cartão-cópia-fiel
Do original. E contemplando a indiferença
Com que me fita o teu olhar perdido ao léu
Divagarei nesta amplidão vácua, suspensa
Na sensação de que vou indo para o Céu.
E assim, vou me afastar desta distância que maldigo
Porque me rouba do teu ser, e até a crença
De que inda voltes novamente a estar comigo.
E este ansiar que para mim já é doença
De cujo mal desvencilhar-me não consigo
Há de fugir como quem foge de uma ofensa.
E embora seja pelo espaço de um momento
Saio do meu supor, deixando só que a ti pertença
Total, pleno, sublime e magistral: meu pensamento.
Amor,
Quando te fores me deixando tão sozinha
Lembra-te antes, de deixar-me uma esperança
Igual à que, ao lado teu sempre caminha
E que estaciona ao teu redor quando descansas.
Meu Bem,
Nunca me deixes a banzar... Desesperada!
Desprotegida desse amor que meu, tu o dizes.
Pretendas sempre, com uma frase apaixonada
Inda que seja de mentiras disfarçada
Proporcionar-me os meus momentos mais felizes!
Clotilde
Sampaio
Brás,
São Paulo, SP, 1963.
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