10/03/80
– segunda-feira
Comprei o dormitório de rosinhas: Cr$ 17.000,00 com mais o
colchão, Cr$ 2.000,00. Estou com tanto sono que nem dá para escrever. Os
vândalos hoje foram até minha escola. Escreveram palavrões, espalharam o lixo e
estragaram todas as fechaduras. Só não conseguiram roubar nada. Mas esvaziaram
toda a água da escola. Tudo ficou em petição de miséria. Soubemos que foram
alunos da própria escola quem fez isso. Seu Mário foi chamado e veio logo cedo.
Não tivemos merenda nem água para beber. Ia no Aoud, mas choveu e estava armando
mais temporal. Saí um pouco atrasada. E por tudo isso, não fui. Amanhã irei sem
falta. Vitória chegou hoje alegre, conversando normalmente com todos. Recebeu e
me deu Cr$ 2.000,00, dizendo “se a senhora precisar, é só pedir mais”. Ótimo.
Teve melhoras.
12/03/80
– quarta-feira
Hoje o diretor mudou o horário de todo mundo. Na escola
entrou mais uma merendeira que é minha amiga secreta Maria Madalena Lopes
Pezzuol. É uma senhora muito simples, quase não sabe nem falar. Parece que é
até meio passada. É muito vagarosa no se expressar e vagarosa em tudo.
Antigamente eu a achava orgulhosa. Hoje vejo que não é nada disso, e sim,
deficiência mental. Passei do horário das 7 às 11 e das 13 às 17 para 7 às 11 e
das 12 às 16. Depois fui falar com o seu Mário para me deixar em horário direto
e ele me pôs das 11:30 às 17:30 h. E a Jussara vai começar a estudar aqui. E
sairemos quase na mesma hora, e tanto ela como eu teremos companhia para ir
para casa à noite. Galetti foi na escola hoje, já era quase hora de eu sair
quando ele chegou. Sr. Mário é amigão de boxe dele. Mostrou-lhe toda a escola.
Saímos juntos e ele me trouxe em casa.
19/03/80
– quinta-feira
Estou pelejando para acabar um soneto para o Aoud e não
consigo vir aquém das últimas estrofes. Esta poesia já faz dias que eu comecei.
Fiz em dois dias a metade última do soneto. A metade primeira, tento, tento,
tento, e não consigo. Já fiz vários dois primeiros versos, que não deram certo
para encaixar com os outros últimos, que são os seguintes:
“De novo, e em fogaréu
tão denso e nosso,
Ter-te. (Quem dera!) Mas
já sei: não posso.
Que aos meus desejos,
tudo a vida trunca.”
Clô
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