quarta-feira, 22 de outubro de 2014

10 a 19 março 1980

10/03/80 – segunda-feira

Comprei o dormitório de rosinhas: Cr$ 17.000,00 com mais o colchão, Cr$ 2.000,00. Estou com tanto sono que nem dá para escrever. Os vândalos hoje foram até minha escola. Escreveram palavrões, espalharam o lixo e estragaram todas as fechaduras. Só não conseguiram roubar nada. Mas esvaziaram toda a água da escola. Tudo ficou em petição de miséria. Soubemos que foram alunos da própria escola quem fez isso. Seu Mário foi chamado e veio logo cedo. Não tivemos merenda nem água para beber. Ia no Aoud, mas choveu e estava armando mais temporal. Saí um pouco atrasada. E por tudo isso, não fui. Amanhã irei sem falta. Vitória chegou hoje alegre, conversando normalmente com todos. Recebeu e me deu Cr$ 2.000,00, dizendo “se a senhora precisar, é só pedir mais”. Ótimo. Teve melhoras.

12/03/80 – quarta-feira

Hoje o diretor mudou o horário de todo mundo. Na escola entrou mais uma merendeira que é minha amiga secreta Maria Madalena Lopes Pezzuol. É uma senhora muito simples, quase não sabe nem falar. Parece que é até meio passada. É muito vagarosa no se expressar e vagarosa em tudo. Antigamente eu a achava orgulhosa. Hoje vejo que não é nada disso, e sim, deficiência mental. Passei do horário das 7 às 11 e das 13 às 17 para 7 às 11 e das 12 às 16. Depois fui falar com o seu Mário para me deixar em horário direto e ele me pôs das 11:30 às 17:30 h. E a Jussara vai começar a estudar aqui. E sairemos quase na mesma hora, e tanto ela como eu teremos companhia para ir para casa à noite. Galetti foi na escola hoje, já era quase hora de eu sair quando ele chegou. Sr. Mário é amigão de boxe dele. Mostrou-lhe toda a escola. Saímos juntos e ele me trouxe em casa.

19/03/80 – quinta-feira

Estou pelejando para acabar um soneto para o Aoud e não consigo vir aquém das últimas estrofes. Esta poesia já faz dias que eu comecei. Fiz em dois dias a metade última do soneto. A metade primeira, tento, tento, tento, e não consigo. Já fiz vários dois primeiros versos, que não deram certo para encaixar com os outros últimos, que são os seguintes:

        “De novo, e em fogaréu tão denso e nosso,
        Ter-te. (Quem dera!) Mas já sei: não posso.

        Que aos meus desejos, tudo a vida trunca.”

                                                                                  Clô

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