II – Nova Mogi, 01-02-1988, segunda, 11:45 h.
1)Este mundo é só uma bola. E bola, não é pra mulher. Por isso, estamos aqui só de enxeridas. Porque este mundo não é pra nós. É só para os homens.
III - 02/02/88 - a caminho de Salvador, 21 horas.
1) Em viagem; a caminho de Salvador, já perto de chegar em Governador Valadares. Alterosas alteradas inalteradas. E a noite deve estar com luar para divisarmos tão nítidos os contornos montanhosos das Gerais.
2) Bahia, como será? Como estará para mim, agora que já conheço os teus supostos segredos, sem segredo nenhum? Estará benévola ou inóspita? Tenho e levo bons augúrios. Do contrário, nem estaria indo de novo ao teu reencontro. Espero contar contigo em todas as minhas esperanças, e confianças e empreendimentos. E pretendo que não me decepciones mas só e sempre me alegres. E me fortaleças.
IV – 03/02/88 – Jequié – 12:50 horas
1) Mandacaru todo florido! Que beleza! Se eu pudesse pegar um desses e levar lá pra casa! Flores amarelas! Rosas! Vermelhas! Lindas! Um primor. Me faz lembrar músicas antigas de Luiz Gonzaga: “mandacaru quando fulora na serra/ é que a chuva chega no sertão/ toda menina que enjoa da boneca/ é sinal que o amor já chegou no coração”. “E se você visse o que há no meu sertão/ aí você diria que eu falo com razão”, etc.
2) Um sol tão quente aqui, que dá medo. É o sol mais quente da Bahia. Mas estamos chegando. Saímos daqui às 13 horas. E chegamos, segundo os meus cálculos, em Feira, às 16. E em Salvador às 17 ou 18 horas. Veremos se acerto.
3) Em Santo Estevão, num estabelecimento comercial à beira da estrada e em letras garrafais “TEMOS CAFÉ REFOÇADO”.
V – 21/02/88 – domingo, 2 horas da manhã
1) Eu de há muito não quero mais ter qualquer religião. Desde que comecei a ter dúvidas sobre os budistas e, mais ainda, após ter certezas, comecei a me preparar para meu total afastamento tanto desta, como de qualquer outra religião. Mas, fatores inesperados, de novo, fazem todo o empenho de me reconduzir de volta a ela. E eu volto. Ora são os meus olhos pesados e ardendo, ora é o meu rosto envelhecendo, ora é a minha personalidade apagada, sem brilho, sem viço, sem ânimo. E é para sem demora recuperar tudo isso que eu volto.
Clô
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