1) Ita hoje volta para São Paulo. Vamos ficar separados talvez até o fim de junho. Por enquanto ele ainda está aqui comigo, a 20 centímetros de mim. Posso esticar o meu braço e pegar os seus pés. Daqui a mais um pouco, ou seja, à noite ele estará se distanciando cada vez mais de mim e dos meus olhos. Meu filhão. O mais apegado comigo. O que menos me dá preocupações e o que mais se preocupa comigo. Vou sentir a sua falta sim, filho. Da sua presença, da sua voz, das suas preocupações comigo, e até das nossas discussõezinhas de araque, ou seja, por amor.
2) Ainda não está curada. De repente, de novo, este desejo, tão grande e necessário de morte. Esta inutilidade tão frêmite de vida. Depressão. Não quero nem falar nem ouvir falar esta palavra. Distância dele, quanto mais e menor, melhor. Mudar de vida. Deixar de viver no Pelourinho para viver por aqui, ou vice-versa, é tudo o mesmo. O risco, a luta, é a mesma dificuldade seja onde for. E a luta só é mesmo muito boa, quando é inteira.
3) Acordou sentindo que só valia morrer. Não tem nenhum medo da morte. Mas este momento desse sentir dessa coisa foi tão incômodo.
4) Não vale pensar, não vale escrever. Não vale ficar parada só olhando e esperando as coisas acontecerem ou não por si mesmas. Vale agir, vale movimentar, e fazer, e forçar que as coisas se movimentem e aconteçam do melhor modo. Vale criar, construir, e reconstruir quantas vezes for necessário.
5) vou lutar no Pelourinho, pelo Pelourinho. Mudar o quanto antes a face daquele lugar que precisa, que necessita o quanto antes ser mudado. Eu aceito este desafio. Eu, sei que posso fazer isso.
6) Sartre e sua filosofia furada... Não deixa de ter razão porque os ricos sempre têm razão. Nasceram só para terem razão em tudo. Mas não gosto dele. Porque tem razão sem ter razão. Ele nada me ensina, nada me convence. Nada me acrescenta. Só me complica. Só me confunde. Mais nada, mais nada, mais nada. Vá tomar banho. Você e a Simone de Beauvoir, que são da mesma laia, que não são de nada, não me levam na sua. Nunca. Mas não me levam nunca mesmo.
Clô
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