terça-feira, 12 de março de 2024

03 e 06 de fevereiro de 1992

Pelô 03/02/92 segunda-feira

 

*(Clô utiliza três partes longas do seu papel branco de embrulho dobrado em 4 partes – frente e verso – em bom estado de conservação, embora amarelado, não rasgado, para reescrever o poema CANÇÃO DA PARTIDA de Jacinta Passos, poeta cruz-almense por quem anda fascinada).

 

 

Pelô 06/02/92 quinta-feira

 

1)Anteontem, quando soube pela revista VEJA, sobre  a via crucis de Jânio entre o Hospital Albert Einstein e o Asilo onde ele agora está abandonado, fiquei consternada, perplexa, revoltada. Agora, no momento em que ele mais se encontra com sua saúde abalada, (em agonia pré-morte para os outros) mas, para mim, apenas com o seu: equilíbrio físico e mental, devido a várias e sérios motivos familiares, muito abalados, está sem ninguém, nem filha, nem netos, nem amigos, sequer um só dos tantos que o cercavam para cuidá-lo. E Adelaide Carraro? Nem ela? E por que nem ela, parra cuidá-lo agora, perguntei-me estarrecida pelo que li sem entender o porquê, ela que foi amante de Jânio há cerca de mais de trinta anos atrás, por que ela não está ao lado dele agora que Dona Eloá faleceu e que sua filha e seus netos todos o abandonaram à sua própria sorte. E foi Vitória que, ao acabar de chegar aqui em casa, me respondeu: “Adelaide Carraro faleceu na semana passada, com câncer”. Eu não soube. E foi quando percebi que, de todas as pessoas que realmente o amaram, Jânio só tem agora a mim. E que eu preciso de qualquer jeito e o mais rápido possível ir a São Paulo, para cuidá-lo e ajudá-lo a se restabelecer completamente. Eu sei que posso fazer isso. E vou fazer. Tenho certeza de que ele vai ficar completamente bom e lúcido e capaz para muita coisa ainda. Ele só tem 76 anos que completou agora. É jovem ainda. E se resistiu a tudo isso até agora, e se ainda está vivo, é porque a sua missão aqui conosco, nesta vida, ainda não está comprida. Ele está me esperando até que eu chegue e o ajude a restabelecer-se. Eu amo o Jânio e tenho certeza que com o meu amor, respeito e dedicação por ele, ele voltará a ser o mesmo homem que foi até bem pouco tempo atrás. Eu queria tanto estar em São Paulo agora, eu queria tanto estar agora ao lado de Jânio neste momento, dando-lhe tudo que posso lhe dar para o seu total restabelecimento e acompanhar, passo-a-passo, o seu total retorno à saúde e à uma nova vida outra vez. Namyohorenguekyo, namyohorenguekyo, namyohorenguekyo.... *(28 repetições deste mantra)... Até ontem rezei 4 gongyos e 6 mil daimokus pela saúde de Jânio. Gohonzon, faça que ele esteja bem melhor. Muito grata.

 

                                                                                                                Clotilde Sampaio


* observações da digitadora Vitória Régia, filha da autora.

 

 

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