sábado, 16 de março de 2024

IX – 27/02/88 – sábado, Salvador

 1) Fomos ontem, eu e o Ita, e visitamos: Solar do Unhão, Igreja de São Francisco, Casa de Ruy Barbosa, Casa de Castro Alves. Pareceu-me que ele gostou.

 

2) Acordar e levantar sempre: no máximo às seis horas da manhã. Rezar Gongyo e, no mínimo, uma hora de Daimokus. Esforçar. Lutar ao máximo. Quebrar pedras na pedreira até. Aceitar todas as imposições e implicâncias que naturalmente advém da condição de budista. E também os prazeres e alegrias, a felicidade infinita por tudo isso. enfim, ser uma budista e um ser humano como manda o figurino. 

 

3) Intuições. Deve ser intuições a palavra que designa o estado que e em que Clarisse Lispector descrevia e escrevia.

 

4) Chove. E pelo jeito vai chover muito, o dia inteiro. Bom. Não preciso me preocupar de cumprir a promessa de ir ao encontro de Antônio para ir com ele à casa da irmã dele hoje. Não gostei de revê-lo no domingo passado. Estava bêbado, bêbado, e falando demais e o que não interessava. Bobo. Só serviu pra aquilo mesmo: pagar todos aqueles tira-gostos, cervejas e camparis que consumimos. É um tipo de pessoa que só me serve pra isso. Para  mais absolutamente nada. A confiança que lhe dei no passado já foi demais.

 

5) Já me diverti bastante até aqui. Agora é um novo rumo de vida que devo tomar. O antigo, o reino, o das responsabilidades, o de criação, o de construção e reconstrução. O do brinquedo, da irresponsabilidade, e de inconsequência já ficou para trás. Agora cabeça no lugar outra vez para novos empreendimentos. Preciso ser uma pessoa bem séria e de máxima confiança para que, quando eu voltar a ser inconsequente, as pessoas que me conhecem me considerem e me respeitem. 

 

6) Pra mim, de agora em diante, o tempo inteiro vai ser carnaval , o tempo inteiro vai ser sério.  


                                                     Clô 

                     

Nenhum comentário:

Postar um comentário