Para Mins Mesmas
Eu quis fazer um verso diferente
Dos tantos que já fiz, atuais, passados
E dei-lhe a alma, o coração, a mente,
Puros, imáculos, inodoros de pecado.
Mas mesmo assim pensei: como fazer?
Se o não dito por mim outros poetas
Fizeram-se inspirar e descrever
Deixando-me tão só frases discretas?
Mas logo vi que o erro estava em mim.
E arrependi-me de dizer tolice à toa
Porque a inspiração, nunca tem fim.
Pois cada qual difere o seu viver.
E se na vida há horas más e boas
Há também coisas novas para dizer.
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, 1965/66 (livro cinza encadernado)
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