Sempre a chamaram Flor.
Quantas vezes fiz ver!
Sem saber o porquê
Desta denominação.
Existem tantas flores...
Nunca pude saber
A qual tipo de flor
Pode ela pertencer.
Pois só a chamam Flor
Sem especificação.
Ela era adolescente
(Vem-me ao lembrar ainda)
Com ideais diferentes.
Na escola, o professor,
Entre outras colegiais,
Mais felizes, mais lindas,
Apontando-a entre as mais
Fez exclamar “Que Flor!”.
O tempo foi, passou,
E eu já senhora então,
Sem precisar, um dia,
Voltei a vê-la
Quando menos esperava.
E eu pude percebê-la
A andar às correrias
Da perseguição
De um rapaz atrevido
Que lhe sussurrava
Bem junto aos seus ouvidos:
“Vejam que flor!
Que morena tentação!”
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, 1965. (livro cinza encadernado)
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