terça-feira, 12 de março de 2024

FLOR

 Sempre a chamaram Flor.

Quantas vezes fiz ver!

Sem saber o porquê

Desta denominação.

Existem tantas flores...

Nunca pude saber

A qual tipo de flor

Pode ela pertencer.

Pois só a chamam Flor

Sem especificação.

 

Ela era adolescente

(Vem-me ao lembrar ainda)

Com ideais diferentes.

Na escola, o professor,

Entre outras colegiais,

Mais felizes, mais lindas,

Apontando-a entre as mais

Fez exclamar “Que Flor!”.

 

O tempo foi, passou,

E eu já senhora então,

Sem precisar, um dia,

Voltei a vê-la

Quando menos esperava.

E eu pude percebê-la

A andar às correrias

Da perseguição

De um rapaz atrevido

Que lhe sussurrava

Bem junto aos seus ouvidos:

“Vejam que flor!

Que morena tentação!”

 

            Clotilde Sampaio 

    Brás, São Paulo, 1965. (livro cinza encadernado)

Nenhum comentário:

Postar um comentário