para Aoud Id
Ah! Se me vingo, e como!
Até já tenho em mente!
Hei de passar por ti, tranquilamente,
Demonstrando nem notar tua presença.
Hás de sentir então, na minha indiferença,
Tudo o que eu sinto agora no momento. –
Só por não ver a tua imagem o pensamento
Meu blasfema contra ti e contra Deus.
A ti porque me faz viver de enganos
E a Deus por ter me dado aos braços teus.
Sei que me iludes
Com teus truques desumanos
Embalando os meus sonhos
Com mentiras e vãs quimeras.
E eu, tola que sou,
Em tudo vou acreditando
Trocando o que me dás
Por afeições sinceras.
Sei também que sorris
Da minha santa ingenuidade
Quando eu demonstro acreditar
Que tu me amas de verdade.
Mas saiba, não faz mal,
Bem logo, sem demora,
Hei de te ver passar
Pelo que estou passando agora.
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, entre 1963 e 65. (livro cinza encadernado)
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