terça-feira, 19 de março de 2024

INVERNO, INVERNO.

                                        Para Mins Mesmas

 

              “Tarde fria, sozinho espero, só você, que não vem, que eu quero.

                Tarde fria, e um frio n’alma, só você, que não vem, e me acalma.

                E o vento, sopra frio, gelando, e eu, sem você, até quando?

                Vem a noite, e a noite é fria, estou só, e a minh’alma, vazia.”

                                                       CANÇÃO POPULAR – 1958

 

 

       Ah! Inverno, Inverno,

       De novo caminhas

Passo a passo, lento...

De reencontro à minha

Tão feia e vazia

Vida, já há tanto,

Tão triste, e tão fria.

 

Ah! Inverno, Inverno,

Se soubesses por que tanto te sinto,

Talvez tu não virias tão violento,

Dormir na minha companhia.

 

É que me lembras tanto,

Outros invernos, de amores tantos!

De noites encharcadas de Poesia!

E de dias... inundados de Encantos!

- Quantas!

- Quantos!

 

Ah! Inverno, Inverno, por favor,

Não me venhas neste ano,

Tão bravo e cinzento.

E se de todo jeito, não puderes

Te apartar de um pouco

Da tua potência,

De antemão me mandes

A resplandecência

Da Verde Esperança

Preparar tua vinda

Na minha existência.

 

......................................

... Ah! Inverno, Inverno,

Os meus vãos amores,

Como estão passando?

Acaso, também,

Lembram-se de mim?

E perguntam por mim

Quando estás chegando?

 

Que tola pergunta

Estou te fazendo

Heim? Inverno, Inverno?

Só eu, de nós todos,

Continuo só.

Só eu me preocupo

Com tudo, e com todos.

Com tudos e com todos.

 

Sou só eu quem sinto

Ainda, os calores

Nas loucas lembranças

De afoitos olhares...

De audazes amores!!

Voluptos!... Vorazes!...

Cativos!... Ferozes!...

- Esquivos??... Fugazes???...

Que estão... me adoidando!!!

 

Sou só eu quem vejo

De volta, os desprezos

Bem vivos! Bem fortes!

Com o gosto da morte

Que sempre aparece

Quando estás... chegando.

 

Ah! Inverno, Inverno,

Desculpe-me a minha

Precisa franqueza.

Mas... é mesmo assim:

- Não passas, pra mim

De um gelado... Inferno.

Do mais congélido... Inferno.

 

......................................

...Ah! Inverno, Inverno...

  

                                                               Clotilde’s Sampaio

 

 

                                         Monte Cristo, Suzano, inverno de 1980.

Nenhum comentário:

Postar um comentário