Para Mins Mesmas
“Tarde fria, sozinho espero, só você, que não vem, que eu quero.
Tarde fria, e um frio n’alma, só você, que não vem, e me acalma.
E o vento, sopra frio, gelando, e eu, sem você, até quando?
Vem a noite, e a noite é fria, estou só, e a minh’alma, vazia.”
CANÇÃO POPULAR – 1958
Ah! Inverno, Inverno,
De novo caminhas
Passo a passo, lento...
De reencontro à minha
Tão feia e vazia
Vida, já há tanto,
Tão triste, e tão fria.
Ah! Inverno, Inverno,
Se soubesses por que tanto te sinto,
Talvez tu não virias tão violento,
Dormir na minha companhia.
É que me lembras tanto,
Outros invernos, de amores tantos!
De noites encharcadas de Poesia!
E de dias... inundados de Encantos!
- Quantas!
- Quantos!
Ah! Inverno, Inverno, por favor,
Não me venhas neste ano,
Tão bravo e cinzento.
E se de todo jeito, não puderes
Te apartar de um pouco
Da tua potência,
De antemão me mandes
A resplandecência
Da Verde Esperança
Preparar tua vinda
Na minha existência.
......................................
... Ah! Inverno, Inverno,
Os meus vãos amores,
Como estão passando?
Acaso, também,
Lembram-se de mim?
E perguntam por mim
Quando estás chegando?
Que tola pergunta
Estou te fazendo
Heim? Inverno, Inverno?
Só eu, de nós todos,
Continuo só.
Só eu me preocupo
Com tudo, e com todos.
Com tudos e com todos.
Sou só eu quem sinto
Ainda, os calores
Nas loucas lembranças
De afoitos olhares...
De audazes amores!!
Voluptos!... Vorazes!...
Cativos!... Ferozes!...
- Esquivos??... Fugazes???...
Que estão... me adoidando!!!
Sou só eu quem vejo
De volta, os desprezos
Bem vivos! Bem fortes!
Com o gosto da morte
Que sempre aparece
Quando estás... chegando.
Ah! Inverno, Inverno,
Desculpe-me a minha
Precisa franqueza.
Mas... é mesmo assim:
- Não passas, pra mim
De um gelado... Inferno.
Do mais congélido... Inferno.
......................................
...Ah! Inverno, Inverno...
Clotilde’s Sampaio
Monte Cristo, Suzano, inverno de 1980.
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