Para Aoud Id
Amor,
Não me deixe sozinha
Porque eu morro de medo
Seja noite ou dia
Seja tarde ou cedo
Eu sinto verdadeiro
Horror à solidão.
Amor,
Se não podes me dar
Inteiro o seu carinho
Deixe-me ao menos um
Pequeno pedacinho
Desse seu insensível coração
Que diz tão bem gostar
De mim, de tanta gente
Mas só demonstra claro,
Tranquilo e friamente
Não se deixar prender
Por nada, a ninguém, não.
Amor,
Deixa-me ao menos um
Um pedaço somente
Desse seu coração
Leviano e indiferente
Que só sabe judiar de mim
Que só me dá saudade,
Ciúme e inquietação,
Mas que eu desejo e imploro
Mesmo ele sendo assim
Porque me acostumei
Com sua judiação
Mas que eu suplico:
Mesmo sendo assim,
Pois já me acostumei
Com sua judiação.
Clotilde Sampaio – São Paulo - 1967
*(num papel de embrulho de 1989, mas sem data assinalada)
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