XX – 27/09/85 – sexta-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano – SP
1) Ah! Lilinha, assim não dá! Você só aproveita da mamãe o quanto pode, sua safadinha. Você não vale nada. Só presta pra fazer bagunça e pra tomar uma surrinha. Ah! Lilinha, se a mamãe não te amasse, não dava. Mas só dá porque a mamãe te ama. Quebrou meu abajour, comeu o meu incenso, põe o banquinho pra lembrar a televisão lá em cima. Lambe a pia, os móveis, a máquina de costura, o fogão, chupa o pano do babador, não quer comer nada. Fica só querendo deitar no chão o dia inteiro. Morde a gente. Hoje mesmo mordeu duas vezes o meu braço. E que mordidas! Quase morri. Assim não dá, Lilinha. Assim não dá mesmo. Vai dormir só depois de meia noite quase todo dia. Sobe em tudo, lambe tudo, morde tudo, estraga tudo. Assim não dá, Lilinha. Só dá porque a mamãe te ama muito. Como é que a gente pode amar tanto uma porcaria de uma criancinha tão sem vergoinha assim?
2) Impossível? Impossível. Impossível? Impossível. Hoje, Itaquera, até que não me causou mal estar nenhum. Também, fiz de conta que estava indo num outro lugar, e não lá. E estou mesmo. Algo que não tem nada a ver com ele. E que é o tipo de coisa que eu gosto de fazer: falar do Jânio só me dá prazer, e me dista tanto do que não presta, que até me faz esquecer ele. Estou que não me aguento mais de sono. Amanhã continuo.
Clô
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