segunda-feira, 18 de março de 2024

10 e 11 março 88 - Brotas, Salvador

XV– 10/03/88 – quinta-feira.

 

1) “Nada a declarar, nem contra, nem a favor”. Não sei por que acabo de dizer isso. Não me lembro mesmo se, para quem ou para quê, foi para uma das minhas divagações ou intuições.

 

2) Esta noite sonhei um sonho do qual nada me lembro mas cujos reflexos (e, por sinal, ótimos, parece-me) vêm ter comigo a todo instante. E eu pelejo para me lembrar, mas não dá. Só sinto. 

 

3) Um furúnculo na minha testa desde domingo, daqueles bem grandes e feios. Só que não está doendo nada, nem incomodando. 

 

4) Ainda não veio o dinheiro que o Ita disse que deu pra Jussara colocar no banco na última sexta-feira. Ela deve ter precisado e usado, e a gente aqui que nem besta, e o João indo todo dia no banco, e nada. E a gente precisando de dinheiro sem poder fazer nada. Assim não dá, ficar aqui na casa dos outros já não é nada bom, quanto mais sem dinheiro.

 

5) Se eu ainda não consegui provar que os filhos são dele. Ele também, mesmo com todo o dinheiro dele, e com toda a baixaria, também não conseguiu provar o contrário, ou seja, que os filhos não são dele.

 

 

XVI - 11/03/88 – sexta-feira

 

1) João Vitor começou hoje a andar sozinho para todas as direções por ele mesmo. Já se solta de tudo e, por ele mesmo, vai na direção que quer, conseguindo já dar uns dez passinhos bem firmes e bem convictos. Só depois, é que para, ou chega onde quer ou cai. Já se abaixa e se levanta, já fica em pé parado, já dança em pé parado e já se vira andando, para outra direção. Mais um pouco e estará correndo para todo lado. Seus dentinhos estão nascendo todos do lado esquerdo. Um só embaixo e dois em cima. Já fala coca, non (de não), auau, água, iôiôiôiô, lélélélélélélé, e começou a cantar hoje. Está uma graça, esperto, alegre, inteligente, sorridente, tudo o que ele vê Lorena fazer, ele também faz. Não lhe quer ficar atrás em nada. Adora Lorena, Didi e Ari. Só não simpatiza muito com João mas é seu amigo também. É tão gostoso ser vovó!

 

2) Até agora ainda não veio o dinheiro de São Paulo.  

 

 * (escreve todo o longo poema CÂNTICO NEGRO de José Régio)

 

3) E esta tortura. Ter essa vida de viver sozinha. Que é uma coisa muito também muito, minha.

 

                        Clô

 

*nota da digitadora, Vitória Régia.

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