Para Manoel Leite Sampaio
Olhos que se foram para bem distante
Deixando-me a lembrar seu verde cristalino
Olhos de homem bom, sereno, confiante,
Espelho da inocência, reflexo do Divino.
Olhos verdes, esmeraldas cintilantes!
Olhos verdes, um oceano de beleza!
Olhos verdes, que eu relembro a todo instante,
Olhos verdes que hoje são minha tristeza.
Eram tão belos! Quanto eu os admirava!
Vendo-os nos meus, fitando os meus, silentes, mudos,
Onde a menina dos meus olhos se banhava
Embevecida, extasiada, alheia a tudo.
Olhos verdes, de esperanças tão repletos!
Olhos verdes, matas virgens, verdejantes,
Olhos verdes, foram todo o meu afeto,
Olhos verdes, perfeição predominante.
Olhos que foram, em densas trevas, minha luz
Olhos que em vida foi ventura, foi poesia,
Tão semelhantes aos olhos verdes de Jesus!
Tão semelhantes aos olhos verdes de Maria!
Teus olhos verdes, joias raras de bom gosto,
Que a terra fria devorou sem menor dó,
Deixaram um dia de existir sobre o teu rosto
Hoje é lembrança que resvala sobre o pó.
Teus olhos verdes,
Hoje são duas lembranças
Que me deixaram na espera
De esperar sem esperanças...
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, 1964. (livro cinza encadernado)
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