para Aoud Id
Paramos tu e eu, bem juntos, lado a lado,
Algo a cismar, algo a fingir, ambos embaraçados,
Um a sonhar, outro a sorrir, na noite fria, imensa,
De brancas cerrações, a cobertura intensa,
A derramar-se do infinito infindo, esparramado
À nossa frente, em nosso olhar, ambos extasiados,
Tendo a nos separar do mundo, uma cortina
Feita de alva e espessa névoa de neblina.
Que misturada à loura luz da lua se estendia
Sobre este mundo que, para mim, há tanto não sorria.
E naquele largo instante, de suprema beleza,
Vibrante, como eu, estava toda a Natureza.
Que lá, fora de nós, palpitava inquieta;
Deixando-nos a sós...
...Numa ilusão completa!
E os nossos seres, entrelaçando um só enleio,
Fez nos amar sobejamente em louco anseio.
E eu dei vazão a tudo que sentia,
Extravasando em ti o amor ardente
Que dentro da minha alma renascia,
Desejando ser só tua, eternamente.
E me senti até que enfim, vencida.
E essa altivez que com orgulho eu carregava,
Caiu por terra, e no chão, ei-la estendida.
E esta paixão que no meu peito se aninhava
Tomou-lhe o seu lugar, sem nenhum medo, sem receio
E no meu coração hoje domina decidida
A entregá-lo inteiramente, só a ti, todo assim alheio;
Desse amor estonteante que é só teu por toda a vida!
Clotilde Sampaio
Brás, São Paulo, 1963. (livro cinza encadernado)
Nenhum comentário:
Postar um comentário