1) Tenho infinitos motivos para estar muito triste hoje: JÂNIO QUADROS faleceu ontem à noite (16/02/92, domingo) às 22:30 horas. Pena, que eu não pude estar lá, acompanhando-o pela última vez. Ele sempre teve acesso aos que menos o amavam sempre, quem mais o rodeou foram os aproveitadores, os oportunistas, os que não poupavam palavras para criticá-lo, os que mais o odiaram, como a própria filha dele, Tutu, Erundina, Ulisses, os que mais o prejudicaram, foram os que mais fingiram amá-lo e os que mais se beneficiaram com a sua companhia e com o seu carisma. O povo, e as pessoas que mais o respeitaram, o admiraram e o amaram verdadeiramente, como eu, nunca pudemos desfrutar da sua companhia, porque os maus intencionados nunca deixaram que nós nos aproximássemos dele. Assim, foi durante toda a vida, assim foi, até o seu fim, hoje. Os que menos entenderam, os que mais caluniaram, os que mais o traíram, foram os que mais se acercaram dele sempre. Nós, os mais fieis sempre, só pudemos beneficiá-lo à distância. Não faz mal. Creio que ele nunca soube disso, nem desconfiou de nada. Porque se tivesse podido saber ou desconfiar, ele teria agido de outra forma. Tenho certeza que ele trocaria os seus falsos amigos, pelos verdadeiros verdadeiros. Na verdade, só foi assim, porque tinha mesmo que ser assim. Desconfio que, as únicas pessoas que conseguiram entendê-lo, e valorizá-lo ao máximo, fomos nós três: Dona Eloá, Adelaide Carraro, e eu. Adeus Jânio. Que finalmente você possa descansar em paz, no Cemitério da Paz, do Morumbi.
2) Pra quem que eu vou escrever meus versos agora? Pra quem que eu vou dedicar meus versos agora? Pra quem que eu vou falar sobre Jânio agora? Com a morte de Jânio Quadros, meu maior ídolo, de toda a minha vida, nada disso, agora tem mais o mesmo sentido.
3) Por que será que, ultimamente, eu tenho sonhado tanto com Jehová? Nesta noite, sonhei o meu segundo sonho com ele, em 15 dias.
4) O que é que eu faço da minha vida? Estou tão desnorteada. Tudo o que eu mais queria ter ou fazer, já não quero fazer, nem ter mais. Queria ir para Emas, e ao mesmo tempo, não quero. Queria ir para São Paulo, e ao mesmo tempo não quero. Quero sair, e ir, ir, ir, poraí, e não quero. Ficar aqui, também não quero. Morrer, seria talvez a melhor coisa a fazer, mas, e Tarcila? Quer dizer, queria, quero, mas não posso.
5) Sábado, aproveitei para dar o melhor fora em Doutor Pedro. Sim, foi no sábado último dia 15/02/92. Fiz questão de demonstrar-lhe o quanto esfriei com relação a ele, e o quanto já me libertei de todo o carisma que ele sempre exerceu sobre mim.
6) Aoud até agora não mandou nenhum dinheiro. Será que ele está esperando que eu lhe telefone? Pois, vá esperando.
7) Estou indignada com o mistério existente em torno de Jacinta Passos. Ninguém a conhece, ninguém sabe falar nada sobre ela. Por que será? Como descobrir? Como saber? É que ela falava grandes verdades, e foi uma extraordinária Poeta. Então, trataram de ofuscá-la antes que ela, com todo o seu valor de poeta-mulher, viesse ofuscá-los. Eles, os pequenos homens, não podem nunca serem ofuscados pelo brilho de uma grande mulher.
8) Estou toda “funhanhada”. Gorda, queimada do sol de praia do Farol da Barra, de ontem, e com um feio e incômodo tersol no olho esquerdo. E o pior: também depressão. E aquela depressão.
9) Não gosto de faltar com a minha palavra. E só por isso (e por causa também de João Vitor que precisa estudar) vou pra Emas! (E também porque prometi ajudar Milton nestas eleições de 92).
Clô
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