sexta-feira, 29 de março de 2024

01 e 02/10/85

XXIV – 01/10/85 – terça-feira - Jardim Monte Cristo, Suzano / Itaquera, SP.

 

1) Andei tanto ontem, atrás. Fui, no Comissariado de Menores e requisita Alda e Seu Cristiano para deporem amanhã na audiência contra a prefeitura, a meu favor. Fui na Auto Escola Técnica requisitar Sr. Italo para a mesma finalidade. Depois, só depois, quando passei no advogado é que fiquei sabendo não precisar de testemunhas para a audiência de amanhã. Hoje deveria ter ido reavisá-los do contrário e agradecê-los. Não deu. Amanhã terei que sair mais cedo de casa para fazê-los cientes de não mais precisão, por mim, da presença deles amanhã. No fim, o que mais fiz hoje foram só pernadas e caseiras à toa. 

 

2) E hoje, o que fiz hoje? Nada. Mas fiz mais que ontem. Pois rezei uma hora de Daimoku e o Gongyo com o objetivo de mudar o quanto antes daqui para Itaquera. De repente me veio este desespero de me mudar daqui. De repente, me conscientizo que este lugar é muito pobre pra nós. E que merecemos morar em lugar bem melhor. E, pra confirmar minhas conjecturas, acabei topando hoje, quase que de cara com o famigerado bandido da cadeira de rodas. O maior perigo atual daqui do Monte Cristo. Tomei um susto! Ainda bem que eu vinha pelo caminho vagando, e talvez por isso, o Gohonzon me protegeu que ele passou por mim bem próximo e não me viu. Ou fez que não me viu. Ia a caminho do ponto da Av. Brasil acompanhado de mais três marginais. 

 

3) Ita disse que pegou hoje Cr$ 350.000,00 de vale especial. Disse que sábado vai consertar o meu carro de manhã e à tarde iremos, eu e ele, fazer compras lá na Semba (tipo de cooperativa da Papelão). Disse que vai vender o telefone. Está quase concordando com que mudemos para Itaquera. Jussara está doidinha pra mudarmos daqui. Diz que não está mais aguentando subir a subida de Poá em seu percurso diário casa-escola. Disse que não quer mais parar de trabalhar nem de estudar. Está animada com seu trabalho mesmo não sendo compensador e sendo cansativo. Eu me orgulho dos meus filhos. São todos bacanas. Não tenho me lembrado muito de Vitória estes últimos dias. Talvez porque eu esteja muito magoada com ela. Penso: se eu não tivesse tido esses filhos, o que seria hoje de mim? Lilinha passou hoje o dia todo elétrica. Só foi dormir agora, a uma hora da manhã. E eu que não sei por que ainda não fui dormir. deixei para escrever agora, pois não escrevi nada durante o dia e não quero falhar de escrever minhas bobagens nenhum dia. Por isso ainda estou aqui rabiscando, em vez de estar já no segundo sono. E o pior é que amanhã tenho audiência. E o quanto mais cedo eu tivesse me deitado, teria sido bem melhor porque amanhã, quanto mais cedo eu me levantar, mais aproveito o dia pois não posso chegar atrasada. 

 

 

XXV - 02/10/85 – quarta-feira

 

1) A audiência não deu em nada. Daqui a dez dias preciso comparecer no escritório dos advogados para ver em que pé ficaram as coisas. Dr. José Leme me pareceu muito antipático. Não gostei dele nada, nada. Me pareceu muito formal, muito seco, muito do lado dos poderosos. Pode ser que eu me engane, mas ele me pareceu fazer pouco caso de mim. 

 

2) Passei o resto da tarde no Comitê em Itaquera onde conheci um advogado simpático com quem conversei bastante sobre política e outros assuntos: Dr. Abraão. Muito simples. Ainda jovem. Parece que temos afinidades de pensamentos. E concordei com o que disse um senhor de rosto já não estranho de há muito: que a campanha do Jânio em Itaquera está muito devagar. De fato, eu já vinha percebendo isso há dias. Pedi ao Sr. Agenor que me arranjasse uma casa pra alugar bem no centro de Itaquera. 

    

                                                                                                         Clô

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário