E...
Volta Redonda
Levou meu dinheirinho numa boa.
E até levei um susto
Com seus preços de custos
Tão acessíveis pra qualquer pessoa.
Pois, imaginem só
Que eu tomei um copão
De leite com café
Comi um pastelão
Tamanho indigestão
E um saco de biscoitos
E inda fiquei com todo o meu dinheiro
Pois, só gastei nem quatro mil cruzeiros.
Ribeirão do Inferno! Volta Redonda! Celestiais.
E ainda não entramos nas alterosas.
Aliás, entramos mas saímos.
E vamos adentrá-las de novo.
Pois, não há como escapar
Das alterosas inalteradas.
Meu filho, minha filha,
Meu neto:
Vocês nem imaginam que eu estou indo
Ao encontro de vocês.
Conosco?
Comigo?
Nunca esteve tão mal.
Mas também,
Nunca esteve tão bem!
Não vêem a minha fisionomia?
O que é que ela lhes expressa?
Ânimo, alegria, coragem,
Garra!
Não é isso?
*(?) – desconecta a sequência
Aliás,
Tudo faz.
Alterosas!
Daqui a pouco tropeçaremos em você.
Pode ser?
Mesmo que não possa.
(Aliás, sempre não pode.)
Vai ser.
Ué!...
Ainda nem chegamos em Cruzeiro?
Ainda nem chegamos em Silveiras.
Aquela árvore solitária e tão bela.
Por que será que está na solidão?
Esta outra também.
Por que não se juntam as duas?
Porque estão distantes um da outra.
E não sabem andar.
E nem têm condução.
Mas devem ter correios, e telégrafos, e telefone
Que é o vento.
Pronto. Aqui começam as montanhas.
E aqui já deve ser as Alterosas.
Cruzeiro?
Se já passou, ninguém viu.
Minha mão já dói
De tanto escrever de mau jeito.
Aqui já devem ser as Alterosas sim.
Só podem ser.
Não falei que chegava?
Não falei que era logo ali?
Nem passou Cruzeiro e já chegou.
Estou cansada já de tanto tropeçar nas montanhas.
Lavrinhas. Alterosas comprovadas.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Volta Redonda
Quatorze horas
Sábado
Nove de março de 1985.
E... Volta Redonda
Levou o meu dinheirinho numa boa!
Clotilde Sampaio, 1985.
*(observação da digitadora Vitória Régia em 21/06/23).
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