terça-feira, 26 de março de 2024

VIAJANDO

E...

Volta Redonda

Levou meu dinheirinho numa boa.

E até levei um susto

Com seus preços de custos

Tão acessíveis pra qualquer pessoa.

Pois, imaginem só

Que eu tomei um copão

De leite com café

Comi um pastelão 

Tamanho indigestão

E um saco de biscoitos

E inda fiquei com todo o meu dinheiro

Pois, só gastei nem quatro mil cruzeiros.

Ribeirão do Inferno! Volta Redonda! Celestiais.

E ainda não entramos nas alterosas.

Aliás, entramos mas saímos.

E vamos adentrá-las de novo.

Pois, não há como escapar

Das alterosas inalteradas.

 

Meu filho, minha filha,

Meu neto:

Vocês nem imaginam que eu estou indo

Ao encontro de vocês.

Conosco?

Comigo?

Nunca esteve tão mal.

Mas também,

Nunca esteve tão bem!

Não vêem a minha fisionomia?

O que é que ela lhes expressa?

Ânimo, alegria, coragem,

Garra!

Não é isso?

 

                                 *(?) – desconecta a sequência

 

Aliás,

Tudo faz.

 

Alterosas!

Daqui a pouco tropeçaremos em você.

Pode ser?

Mesmo que não possa.

(Aliás, sempre não pode.)

Vai ser.

 

Ué!...

Ainda nem chegamos em Cruzeiro?

Ainda nem chegamos em Silveiras.

 

Aquela árvore solitária e tão bela.

Por que será que está na solidão?

Esta outra também.

Por que não se juntam as duas?

Porque estão distantes um da outra.

E não sabem andar.

E nem têm condução.

Mas devem ter correios, e telégrafos, e telefone

Que é o vento.

 

Pronto. Aqui começam as montanhas.

E aqui já deve ser as Alterosas.

Cruzeiro?

Se já passou, ninguém viu.

 

Minha mão já dói

De tanto escrever de mau jeito.

Aqui já devem ser as Alterosas sim.

Só podem ser.

Não falei que chegava?

Não falei que era logo ali?

Nem passou Cruzeiro e já chegou.

Estou cansada já de tanto tropeçar nas montanhas.

Lavrinhas. Alterosas comprovadas.

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Volta Redonda

Quatorze horas

Sábado

Nove de março de 1985.

 

E... Volta Redonda

Levou o meu dinheirinho numa boa!

                                                                   Clotilde Sampaio, 1985.

*(observação da digitadora Vitória Régia em 21/06/23).

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