Para Aoud Id
Debruçada na janela,
Aqui fico a te esperar.
De plantão, de sentinela,
O mover da rua a olhar.
E entre os carros que passam
Velozmente, sem parar,
Eu procuro ver o teu
No seu devido lugar.
E assim se passam as horas,
E os outros passam e repassam,
E o teu não vejo chegar.
Tento desviar a vista
Para os prédios da cidade
Para ver se vens mais depressa
Matar a minha saudade.
E os luminosos que brilham
Demonstram que compartilham
Desta minha ansiedade.
Saltitam, correm, tropeçam,
Pulando de déu em déu
Parece até que começam
A voarem para o céu.
E eu neste apartamento
Cá na Monsenhor Andrade,
Bem à esquina da Gasômetro,
Fico a ver o movimento
Sem tirar do pensamento
Quem, de mim, dista quilômetros;
E a quem chamo, na verdade,
De Minha Felicidade!!!
Clotilde Sampaio - Brás, São Paulo, 1964. (livro cinza encadernado)
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